
A onda tarifária criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, até agora tem ajudado mercados emergentes como o Brasil. O Ibovespa, por exemplo, acumula alta de 9,06% este ano.
Ações afetadas: mas muitas companhias já estão sofrendo e podem ser ainda mais prejudicadas com o tarifaço anunciado na quarta-feira.
Que ações são essas?
Os ativos de empresas que faturam mais em dólar que em reais são mais atingidos. A moeda americana tem perdido valor desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomou posse em janeiro e iniciou a guerra comercial de tarifas. A expectativa de que esse tarifaço possa causar recessão nos EUA tem feito os investidores procurar outros mercados, como o Brasil
Com o dólar valendo menos, essas empresas sofrem uma queda na receita. E as tarifas deixam os produtos mais caros. É o caso de algumas das maiores multinacionais brasileiras, como Suzano (SUZB3), de papel e celulose; Weg (WEGE3), de motores elétricos e a Embraer (EMBR3), de aviões.
‘A Embraer é a mais atingida, pois 60% da receita dela vem dos Estados Unidos. A Weg tem 20% e a Suzano, 15%’, diz Bruno Benassi, analista de ativos da corretora Monte Bravo. Weg e Suzano têm fábrica nos Estados Unidos. Então, segundo Benassi, no longo prazo elas podem transferir essa produção para lá.
Suzano já teve queda de 13,50% no ano (até 2 de abril, conforme a Economatica). Weg caiu 14,23%. Em 2025, Embraer continua no positivo, com alta de 15,45%. Mas em março, já registrou baixa de 5,69%, conforme a Economatica. ‘Para a Embraer, as tarifas sobre bens manufaturados, como aviões, tornam seus produtos mais caros nos EUA, seu principal mercado, o que reduz a competitividade’, diz Hayson Silva, analista da Nova Futura Investimentos.
Empresas de autopeças que fornecem componentes principalmente para o México também perdem. Estão nesse conjunto a metalúrgica Tupy (TUPY3), que acumula queda de 20,03% no ano, Iochpe-Maxion (MYPK3) e a fabricante de ônibus Marcopolo (POMO4) – esta com baixa de 13,10% em 2025.
Iochpe-Maxion está positiva no acumulado do ano, com alta de 8,26%. Mas já encolheu 7,18% em março. ‘O setor de autopeças sofre, uma vez que 35% de todos os automóveis vendidos nos Estados Unidos são produzidos no México, que foi taxado. A partir de hoje, já estão valendo tarifas de 25% sobre todos os veículos e peças automotivas importados de lá para os EUA. ‘Tudo vai depender de saber se o tratado de livre comércio entre os dois países vai ser respeitado ou não’, acrescenta Benassi.
O setor de aço também fica exposto. ‘As companhias desse ramo exportam cerca de 48% do que vendem internacionalmente para os EUA, sendo o Brasil o maior fornecedor de aço semiacabado para o mercado americano’, diz Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da Eu me banco, plataforma de educação financeira. É o caso de Gerdau (GGBR4), com baixa anual de 9,16%.
Quem escapa?
No entanto, algumas ‘multis’ brasileiras escapam, até mesmo no setor de aço. É o caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3), com alta de 1,47% no ano (11,15% só em março). Também fica de fora Vale (VALE3), que subiu 8,44% este ano, além dos frigoríficos. Com maior foco na China que nos EUA, CSN e Vale são duas das ações mais procuradas pelos estrangeiros, os investidores responsáveis pela recuperação da Bolsa brasileira este ano.
Empresas de carne – por enquanto – também estão se dando bem, pois o mercado americano passa por um momento de baixa na produção. Por lá, o preço da carne subiu cerca de 40% nos últimos quatro anos, uma vez que houve uma redução drástica do rebanho. Atualmente, o número de cabeças de gado nos EUA é o menor desde 1951.
Mesmo com a taxação de 10% imposta ao Brasil, o país vai ter de continuar importando carne. Os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina do mundo, atrás da China. Para suprir esta demanda, as exportações de carnes brasileiras estão em alta: subiram 9% em fevereiro em relação aos 12 meses anteriores, apesar do real mais caro. Minerva (BEEF3) acumula alta de 29,27% em 2025. JBS (JBSS3) avançou 14,16% e Marfrig (MRFG3), 10,16% desde 2 de janeiro.
Matéria produzida pelo portal de notícias UOL.