Quais são as ações mais afetadas pelas tarifas de Trump?

04/04/2025 às 15:55

04

Sexta

Abr

3 minutos de leitura
Compartilhar
Quais são as ações mais afetadas pelas tarifas de Trump?

A onda tarifária criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, até agora tem ajudado mercados emergentes como o Brasil. O Ibovespa, por exemplo, acumula alta de 9,06% este ano.

Ações afetadas: mas muitas companhias já estão sofrendo e podem ser ainda mais prejudicadas com o tarifaço anunciado na quarta-feira.

Que ações são essas?

Os ativos de empresas que faturam mais em dólar que em reais são mais atingidos. A moeda americana tem perdido valor desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomou posse em janeiro e iniciou a guerra comercial de tarifas. A expectativa de que esse tarifaço possa causar recessão nos EUA tem feito os investidores procurar outros mercados, como o Brasil

Com o dólar valendo menos, essas empresas sofrem uma queda na receita. E as tarifas deixam os produtos mais caros. É o caso de algumas das maiores multinacionais brasileiras, como Suzano (SUZB3), de papel e celulose; Weg (WEGE3), de motores elétricos e a Embraer (EMBR3), de aviões.

‘A Embraer é a mais atingida, pois 60% da receita dela vem dos Estados Unidos. A Weg tem 20% e a Suzano, 15%’, diz Bruno Benassi, analista de ativos da corretora Monte Bravo. Weg e Suzano têm fábrica nos Estados Unidos. Então, segundo Benassi, no longo prazo elas podem transferir essa produção para lá.

Suzano já teve queda de 13,50% no ano (até 2 de abril, conforme a Economatica). Weg caiu 14,23%. Em 2025, Embraer continua no positivo, com alta de 15,45%. Mas em março, já registrou baixa de 5,69%, conforme a Economatica. ‘Para a Embraer, as tarifas sobre bens manufaturados, como aviões, tornam seus produtos mais caros nos EUA, seu principal mercado, o que reduz a competitividade’, diz Hayson Silva, analista da Nova Futura Investimentos.

Empresas de autopeças que fornecem componentes principalmente para o México também perdem. Estão nesse conjunto a metalúrgica Tupy (TUPY3), que acumula queda de 20,03% no ano, Iochpe-Maxion (MYPK3) e a fabricante de ônibus Marcopolo (POMO4) – esta com baixa de 13,10% em 2025.

Iochpe-Maxion está positiva no acumulado do ano, com alta de 8,26%. Mas já encolheu 7,18% em março. ‘O setor de autopeças sofre, uma vez que 35% de todos os automóveis vendidos nos Estados Unidos são produzidos no México, que foi taxado. A partir de hoje, já estão valendo tarifas de 25% sobre todos os veículos e peças automotivas importados de lá para os EUA. ‘Tudo vai depender de saber se o tratado de livre comércio entre os dois países vai ser respeitado ou não’, acrescenta Benassi.

O setor de aço também fica exposto. ‘As companhias desse ramo exportam cerca de 48% do que vendem internacionalmente para os EUA, sendo o Brasil o maior fornecedor de aço semiacabado para o mercado americano’, diz Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da Eu me banco, plataforma de educação financeira. É o caso de Gerdau (GGBR4), com baixa anual de 9,16%.

Quem escapa?

No entanto, algumas ‘multis’ brasileiras escapam, até mesmo no setor de aço. É o caso da Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3), com alta de 1,47% no ano (11,15% só em março). Também fica de fora Vale (VALE3), que subiu 8,44% este ano, além dos frigoríficos. Com maior foco na China que nos EUA, CSN e Vale são duas das ações mais procuradas pelos estrangeiros, os investidores responsáveis pela recuperação da Bolsa brasileira este ano.

Empresas de carne – por enquanto – também estão se dando bem, pois o mercado americano passa por um momento de baixa na produção. Por lá, o preço da carne subiu cerca de 40% nos últimos quatro anos, uma vez que houve uma redução drástica do rebanho. Atualmente, o número de cabeças de gado nos EUA é o menor desde 1951.

Mesmo com a taxação de 10% imposta ao Brasil, o país vai ter de continuar importando carne. Os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina do mundo, atrás da China. Para suprir esta demanda, as exportações de carnes brasileiras estão em alta: subiram 9% em fevereiro em relação aos 12 meses anteriores, apesar do real mais caro. Minerva (BEEF3) acumula alta de 29,27% em 2025. JBS (JBSS3) avançou 14,16% e Marfrig (MRFG3), 10,16% desde 2 de janeiro.

Matéria produzida pelo portal de notícias UOL.

Artigos Relacionados

  • 04

    Sexta

    Abr

    04/04/2025 às 17:56

    Sala de Imprensa

    O que esperar da bolsa após o tarifaço de Trump? Veja opinião de analistas

    A cautela ainda deve imperar durante o período de negociações com os EUA, mas pode ter espaço para algum otimismo com o Brasil Apesar de o Brasil ter entrado na lista dos países tarifados pelos Estados Unidos, segundo anúncio do presidente do país Donald Trump feito na quarta-feira (2), o mercado daqui deve se animar, já …

    Continue lendo
  • 04

    Sexta

    Abr

    04/04/2025 às 16:44

    Sala de Imprensa

    Carteira Valor: ‘Blue chips’ lideram lista de ações sugeridas para abril

    Carteira Valor: Papéis de bancos, exportadoras de commodities e empresas de serviços públicos também estão no alvo de estrangeiro O bom desempenho da bolsa brasileira no primeiro trimestre, especialmente em março, foi sustentado pela volta do investidor estrangeiro. E, quando os “gringos” vêm para cá, eles miram principalmente nas chamadas “blue chips”, as ações de …

    Continue lendo
  • 04

    Sexta

    Abr

    04/04/2025 às 15:40

    Sala de Imprensa

    Economia global: mercado vê cenário negativo

    Se, por um lado, analistas entendem que ficou barato para o Brasil a tarifa de 10% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por outro, os investidores estão enxergando um cenário que pode ser bastante negativo para a economia global, após o que foi chamado pelo republicano de “Dia da Libertação”. Não por acaso …

    Continue lendo