Entrada de capital externo na B3 é a maior em 3 anos e mercado espera mais

28/03/2025 às 17:01

28

Sexta

Mar

3 minutos de leitura
Compartilhar
Entrada de capital externo na B3 é a maior em 3 anos e mercado espera mais

Com ingresso de quase US$ 12 bilhões na contagem preliminar entre janeiro e março, o mercado acionário brasileiro vai chegando ao final do primeiro trimestre de 2025 com a melhor marca para o período dos últimos três anos. E os analistas ouvidos pelo Broadcast afirmam que há motivos para crer que o Brasil continuará a atrair capital externo para a B3 nos próximos meses, sob influência de fatores predominantemente externos.

De acordo com os dados divulgados diariamente pela B3, no acumulado deste ano até o dia 25 de março
houve entrada líquida de R$ 11,895 bilhões na Bolsa brasileira. O valor só é superado pelos R$ 64,1
bilhões registrados no primeiro trimestre de 2022, época em que bolsas de países emergentes se
beneficiavam da disparada nos preços das commodities, em um contexto de guerra na Ucrânia.

Na justificativa dos analistas para o desempenho deste ano, de um lado estão as incertezas relacionadas às políticas tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tendem a continuar direcionando recursos da maior economia do planeta para as de países em desenvolvimento, como o Brasil. De outro lado, a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) também cede espaço para mais aportes no Brasil, cuja política monetária vai no sentido oposto.

Para o economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, diversos são os motivos desse avanço na participação de estrangeiros no mercado doméstico. Eles passam pelo “fator preço”, por exemplo. “Existe um fator de carry trade, porque o real ficou muito atrativo. E existe também o fato de que o tema excepcionalidade dos Estados Unidos perdeu força nas últimas semanas.

O economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, reforça que encontrar uma explicação para a entrada de recursos internacionais passa pelas incertezas envolvendo as políticas comerciais do governo Trump. Em meio a essas dúvidas, relembra, o dólar se enfraqueceu não só em relação ao real, mas ante outras moedas de países emergentes. Isso, diz Costa, trouxe novamente um apetite a risco.

“Diminuiu um pouco o apetite de risco dos investidores por ativos americanos e isso abre espaço para uma realocação, para uma rotação de investimentos. E o Brasil, dentro dos emergentes, acaba sendo um
mercado preferencial”, afirma o economista-chefe da Monte Bravo.

Segundo ele, até a própria China pode estar atraindo algum investimento, enquanto o México é exposto
diretamente à guerra comercial americana. “O Brasil é uma opção mais interessante nesse momento, se
beneficia”, diz Costa.

A percepção é que um ambiente de mais tarifas resultará em menor crescimento econômico nos Estados Unidos e menos lucro às empresas, o que levou a uma rodada de reprecificação dos múltiplos de alguns papéis nas bolsas em Nova York, principalmente o S&P 500, diz. “Isso fez os investidores olharem para outros ativos bem descontados, principalmente de países emergentes. Houve um processo de rotação. E o estrangeiro se aproveitou desse momento descontado para fazer essa alocação”, afirma Costa.

Ao mesmo tempo, o diferencial de juros também tem favorecido a entrada de recursos e pode continuar
atraindo capital externo para a B3. Isso porque a taxa Selic deve seguir elevada, podendo alcançar ao
menos 15% dos atuais 14,25%, enquanto nos Estados Unidos o juro básico tende a ser mantido no nível
atual por mais algum tempo ou começar a ser reduzido ainda em 2025.

“O diferencial já tem ajudado bastante. O dólar abaixo de R$ 6 em grande medida reflete isso. E aqui o juro é alto. Esse diferencial tende a continuar favorecendo o Brasil”, pontua Carlos Lopes, economista do banco BV.

Na visão do investidor de fora do Brasil, o Ibovespa, assim como algumas ações da B3, estão com preços
descontados. “Em conversas de grandes bancos com estrangeiros, há relatos de interesse crescente pelo
Brasil. Porém, ainda não se posiciona fortemente. Há algum receio”, alerta Bruno Takeo, estrategista da
Potenza Capital.

Conforme o estrategista, há cautela devido a questões políticas, ainda que a eleição de 2026 esteja distante. “Vemos um cenário de mudanças, e isso pode começar a fazer preço, a atrair mais capital para a Bolsa”, diz Takeo, ao referir-se à queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e eventual
crescimento de um candidato de centro para a eleição presidencial do ano que vem.

A economista-chefe da CM capital, Carla Argenta, reforça que o cenário de aportes de recursos
internacionais para a Bolsa brasileira tende a prevalecer no curto prazo. Porém, ressalta que quando avalia períodos mais longos, essa ideia não é exatamente válida porque o período atual é caracterizado por um grau de incerteza mais elevado.

Agora, diz Argenta, à medida que há maturação das políticas externas e os impactos da política monetária no Brasil são sentidos, esse cenário pode mudar e tornar o Brasil mais atrativo. “Resta saber quando isso vai acontecer”, afirma a economista da CM Capital, acrescentando ser impossível fazer alguma previsão, dada a quantidade de anúncios de tarifas feitos pelo governo americano e a frequência com ele muda de ideia sobre o assunto.

Matéria publicada na plataforma Broadcast.

Artigos Relacionados

  • 28

    Sexta

    Mar

    28/03/2025 às 17:32

    Sala de Imprensa

    Dólar: saiba como as tarifas dos EUA podem impactar a cotação

    O dólar gira atualmente em torno de R$ 5,70. Para entender se esse valor será uma tendência, ou se há chances de alteração do cenário com a guerra tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e uma possível trégua na guerra da Ucrânia, o Diário do Comércio procurou especialistas para analisar a evolução e …

    Continue lendo
  • 28

    Sexta

    Mar

    28/03/2025 às 16:35

    Sala de Imprensa

    Brasil ainda está próximo do pleno emprego, diz Luciano Costa

    VEJA Mercado: desemprego ficou em 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, alta em relação ao trimestre anterior A taxa de desemprego foi de 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira, 28. O resultado é 0,7 ponto percentual maior que os …

    Continue lendo
  • 21

    Sexta

    Mar

    21/03/2025 às 16:57

    Sala de Imprensa

    Reforma tributária e setor imobiliário: será o fim das vantagens das holdings?

    Reforma tributária impacta o setor imobiliário, muda benefícios fiscais das holdings e aumenta carga tributária sobre operações imobiliárias  A aprovação da Lei Complementar 214/2025, que regulamenta o PL 68/2024, trouxe mudanças substanciais para o setor imobiliário, afetando diretamente a estruturação de holdings patrimoniais e a tributação incidente sobre a aquisição, locação e venda de imóveis. …

    Continue lendo