
Carteira Valor: Papéis de bancos, exportadoras de commodities e empresas de serviços públicos também estão no alvo de estrangeiro


O bom desempenho da bolsa brasileira no primeiro trimestre, especialmente em março, foi sustentado pela volta do investidor estrangeiro. E, quando os “gringos” vêm para cá, eles miram principalmente nas chamadas “blue chips”, as ações de empresas de grande porte, consolidadas em seus segmentos e com alto volume de negociação. São essas companhias que compõem a maior parte das indicações para a Carteira Valor em abril. A seleção é formada por ações de bancos, exportadoras de commodities e prestadoras de serviços, também chamadas de “utilities”.
Na transição de março para abril, seis das ações indicadas foram mantidas. O Itaú continua na liderança, com seis indicações. Os papéis da BB Seguridade também seguem na seleção, indicados por três corretoras. As novidades do setor financeiro ficam por conta de Banco do Brasil e Itaúsa, apontados por três casas cada uma.
Os analistas do Andbank afirmam que o BB vem divulgando bons resultados, e a expectativa é que o banco volte a reportar números positivos no primeiro trimestre. Sobre a Itaúsa, o Santander destaca que a empresa é uma holding com subsidiárias que atuam nos mais diferentes setores, desde o financeiro até vestuário e materiais de construção. Segundo a corretora, a companhia é uma boa opção para se investir no Itaú, já que ela detém 37% das ações do banco, mas está mais descontada (ou seja, com preço abaixo do que seria considerado justo).
Empresas do setor bancário e financeiro são consideradas eficientes e sólidas, por isso tendem a atrair os investidores estrangeiros, além de registrarem menos volatilidade em períodos de incertezas.
O segmento das exportadoras, especialmente as de commodities, também é visto como seguro, uma vez que as empresas têm parte da receita vinda de vendas internacionais, o que traz proteção à carteira do investidor. Em abril, a mineradora Vale e a fabricante de aeronaves Embraer continuaram na seleção, indicadas por quatro e três corretores, respectivamente. A novidade foi a volta da Petrobras: as ações preferenciais (PN, sem direito a voto em assembleia de acionistas) e as ordinárias (ON, com direito a voto) entraram na lista.
Quem fecha a seleção do mês são duas prestadoras de serviços. Essas empresas são consideradas defensivas porque prestam serviços essenciais e, portanto, têm receita mais perene, o que ajuda a diminuir a volatilidade dos papéis. Em abril, as ações da Sabesp, de saneamento, e da Telefônica, de telecomunicações, continuaram na lista com quatro e três indicações, respectivamente.
A seleção da Carteira Valor ocorre por meio das dez ações mais recomendadas pelas corretoras participantes. São sugeridos cinco papéis por instituição, de um total de 16, para a formação do ranking dos ativos mais indicados para o mês.

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Reportagem publicada no Valor Econômico.