Como as decisões do Copom e FED impactam seus investimentos

11/05/2023 às 11:03

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Quinta

Mai

5 minutos de leitura
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O que você vai ler neste artigo

  • O papel do Copom na da política monetária brasileira
  • O papel do FED na política monetária dos Estados Unidos
  • Critérios econômicos para definição da Selic
  • Classes de investimentos impactados 
  • Como os investidores podem se orientar a partir das decisões de Copom e FED


As reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), no Brasil, e do Federal Reserve (FED), nos Estados Unidos, sempre geram expectativas, já que as medidas adotadas por ambos impactam a economia em seus respectivos países, com desdobramentos também no contexto internacional. As decisões sobre o aumento ou não das taxas de juros, por exemplo, têm influência direta no desempenho dos investimentos.

Manter-se atualizado sobre as posições dessas instituições é importante para os investidores, principalmente para fundamentar suas estratégias financeiras no médio e longo prazo.

Neste artigo explicaremos o papel desses órgãos, quais instrumentos utilizam para conduzir a política monetária e os impactos de suas decisões no mercado financeiro, nos investimentos e na economia dos países de forma geral.

O papel do Copom na condução da política monetária brasileira

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil foi criado em 1996 com a missão de definir as diretrizes da política monetária brasileira, bem como estabelecer a taxa básica de juros, a Selic, que é utilizada como referência para todas as transações financeiras no país.

Além disso, a variação da taxa Selic também impacta diretamente o custo do crédito e os rendimentos de investimentos em renda fixa, como títulos públicos e CDBs.

O objetivo do Copom ao definir a Selic é controlar a inflação. Quando a inflação está alta, a tendência é aumentar a taxa básica de juros como tentativa de desestimular o consumo e conter os preços. Por outro lado, quando a inflação está baixa, a decisão do Banco Central é reduzir os juros como forma de estimular o consumo e, consequentemente, o crescimento da economia.

Reuniões do Copom e os critérios para definir a Selic

As reuniões do Comitê acontecem a cada 45 dias para avaliar a situação econômica e definir a taxa de juros a ser aplicada. A decisão, além de influenciar os juros de empréstimos e investimentos, impacta também outros segmentos, como o mercado de trabalho, o desempenho das empresas e a renda das famílias.

Por isso, para embasar as decisões, os integrantes do órgão fazem um estudo detalhado da conjuntura econômica do país, considerando diversos critérios como:

  • inflação;
  • nível das reservas internacionais;
  • balanço de pagamentos;
  • nível de atividade econômica;
  • evolução dos agregados monetários;
  • finanças públicas;
  • contexto econômico internacional;
  • mercado monetário;
  • mercado de câmbio.


Após essa análise, o Copom apresenta as alternativas para a Taxa Selic, com recomendações acerca da condução da política monetária nacional nos próximos meses. Na última reunião, em 03/05, a instituição decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano pela sexta vez consecutiva.

Próximas reuniões do Copom em 2023:

  • 20 e 21 junho
  • 1 e 2 de agosto
  • 19 e 20 de setembro
  • 31 de outubro e 1 de novembro
  • 12 e 13 de dezembro

Classes de ativos impactados pela decisão do Copom

Com a elevação da Taxa Selic, os ativos de renda fixa pós-fixados tendem a apresentar aumento na rentabilidade, como os papéis de CDB, LCI, LCA, debêntures, LF, CRI, Tesouro Selic e Fundos DI. Da mesma forma, os prefixados tendem a ter taxas maiores, afinal se as taxas estão subindo é porque está havendo algum desequilíbrio econômico e os investidores querem maiores juros para aplicar seu dinheiro.

Uma discussão interessante para uma próxima matéria é o que acontece com os títulos prefixados, quando as taxas voltam a cair. Me refiro à marcação a mercado, que pode trazer excelentes ganhos aos detentores desses títulos.

O papel do FED na condução da política monetária dos Estados Unidos

O Federal Reserve, ou FED, é o banco central dos Estados Unidos, que também tem como função manter a estabilidade monetária do país. A instituição utiliza vários indicadores para alcançar esse objetivo, como o controle da oferta de dólares, índice de preços ao consumidor, ao produtor, nível da criação de empregos e outros não muito diferente do que outros países utilizam para esse fim, definindo assim sua taxa de juros. Como essa é a maior economia global, investidores e agentes econômicos de todo o mundo acompanham as decisões da instituição americana para orientar as suas estratégias.

Assim como no Brasil, a taxa estabelecida pelo FED gera impactos nos rendimentos de investimentos de renda fixa, como os títulos do Tesouro americano e os CDBs.

Apesar das semelhanças, a instituição americana apresenta algumas distinções significativas. Uma das principais é que existem Bancos Centrais Distritais que se pronunciam quando das reuniões do FED para sua decisão e a existência de um braço específico para lidar com títulos públicos, o Federal Open Market Committee. É esse comitê que realiza a compra e venda de títulos, exercendo influência sobre a oferta de dinheiro no mercado e, consequentemente, sobre a taxa de juros.

As principais funções do FED na condução da política monetária americana são: 

  • Manter a estabilidade do sistema financeiro dos Estados Unidos;
  • Gerir os sistemas de pagamentos, supervisionar as instituições financeiras;
  • Promover o desenvolvimento sustentável da economia.

Próximas reuniões do FED em 2023:

  • 14 de junho
  • 26 de julho
  • 20 de setembro
  • 1 de novembro
  • 13 de dezembro

O FED tem um calendário parecido ao do Copom em suas reuniões. No encontro também realizado em 03/05 deste ano, o banco central americano anunciou um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros do país, agora fixada entre 5% e 5,25% ao ano. Foi a décima alta de juros no país desde março de 2022.

Payroll: o relatório do mercado de trabalho da economia americana

O relatório de Payroll, divulgado mensalmente pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, apresenta um dos indicadores mais aguardados por economistas e agentes financeiros. Ele traz o cenário da geração de empregos no mês anterior. O relatório de abril de 2023 mostrou um crescimento menor do que o esperado na criação de novos postos de trabalhos, com 381.000 novos empregos não-agrícolas criados em março deste ano.

Esses dados são importantes para os mercados globais, uma vez que ajudam a avaliar o desempenho econômico dos Estados Unidos. Os investidores utilizam essas informações para embasar suas decisões financeiras e estratégias de investimento. O número de empregos criados ou perdidos é um indicador chave de como a economia dos Estados Unidos está se comportando ou pode influenciar o desempenho de diferentes setores econômicos.

Como os investidores podem se orientar a partir dessas informações?

As decisões do Copom e do FED podem impactar os investimentos em diversos mercados, por isso é importante que os investidores estejam atentos a essas decisões e suas implicações. Investidores em renda fixa, por exemplo, podem ajustar suas estratégias de acordo com as mudanças nas taxas de juros.

Já investidores em renda variável, como o mercado de ações, podem avaliar as decisões do FED e do Copom para antecipar tendências e ajustar suas carteiras de acordo com o cenário econômico.

Conte com a Monte Bravo para ajudá-lo a definir as melhores estratégias para seus investimentos


Conforme vimos acima, os movimentos econômicos estão totalmente condicionados às decisões de instituições como FED e Copom, que geram efeitos nos investimentos tanto de pessoas físicas quanto de empresas. É importante entender os desdobramentos que o aumento de juros ou uma mudança de política monetária podem ter no desempenho da sua carteira de investimentos no médio ou longo prazo. Para interpretar essas decisões e aproveitar as melhores oportunidades, você pode contar com a expertise da Monte Bravo.

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