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Mercados
Os mercados de risco despencam nesta quinta-feira em reação às tarifas muito mais amplas e elevadas do que se esperava.
O anúncio foi tão desordenado quanto outras medidas desta administração, mas, em resumo, haverá uma tarifa mínima de 10% para todas as importações, com início em 5 de abril. Além disso, serão impostas taxas elevadas a mais de 180 países e territórios, incluindo 34% sobre produtos da China, 20% para a União Europeia, 46% para o Vietnã e 32% para Taiwan.
O anúncio pegou os mercados de surpresa. A expectativa era de uma tarifa única entre 15% e 20%. Agora, mesmo que as tarifas sejam reduzidas, o choque e a incerteza devem provocar uma desaceleração no curto prazo da economia dos EUA, reduzindo significativamente o crescimento em 2025.
A família americana média terá um custo anual adicional estimado em até US$ 4.200 devido às tarifas (supondo uma tarifa média de 20% sobre importações). Isso significa que os gastos dos consumidores devem se contrair e os lucros corporativos serão reduzidos.
No pré-mercado, a Apple recua 7,2%, enquanto a Amazon perde 5,3% e a Tesla cai 3,9%. Já Nvidia, Meta (Facebook), Alphabet (Google) e Microsoft registram quedas de 3,4%, 3,3%, 2,5% e 1,9%, respectivamente.
O Brasil foi pouco afetado. A tarifa de 10% sobre produtos brasileiros indica que o país não está entre os principais alvos da medida.
Os juros dos Treasuries caem acentuadamente em um movimento de busca por ativos seguros. Os juros dos Treasuries de 10 anos recuam 13 pontos-base, para 4,07%, enquanto os de 2 anos caem 12 pontos-base para 3,78%.
O dólar perde força com o índice do dólar caindo 1,9%, para 101,88 — o menor nível desde outubro de 2024. Os preços do ouro recuam após atingirem um recorde histórico, com o ouro à vista caindo 0,4%, para US$ 3.120.
Os preços do petróleo caem, com os contratos futuros do Brent recuando US$ 2,66, ou 3,55%, para US$ 72,29 por barril.
Os mercados da Ásia sofreram fortes quedas, pois a região é a mais atingida. As tarifas representam um aumento significativo sobre as exportações asiáticas. Os EUA respondem por cerca de 15% das exportações da região, o que significa que tarifas entre 20% e 35% podem criar um obstáculo relevante ao crescimento.
Economia
EUA – O presidente Donald Trump anunciou a adoção de tarifas recíprocas, incluindo uma tarifa mínima de 10% sobre todas as importações, aplicável a todos os países, com vigência a partir de 5 de abril. Além disso, serão impostas tarifas recíprocas mais elevadas para países selecionados, conforme as tarifas praticadas sobre produtos americanos no comércio bilateral. Essas tarifas adicionais entrarão em vigor em 9 de abril.
China, Zona do Euro, Japão, Vietnã e Taiwan estão entre os principais países afetados, com alíquotas de 34%, 20%, 24%, 46% e 32%, respectivamente. No caso do Brasil, as importações serão taxadas com a tarifa mínima de 10%.
Canadá e México receberam tratamento diferenciado. A ordem executiva mantém a isenção da tarifa de 25% para importações em conformidade com o acordo de livre comércio USMCA. No entanto, caso essa isenção seja revogada no futuro, os bens e produtos energéticos que atendam às regras do USMCA continuarão isentos de impostos, enquanto os produtos não conformes estarão sujeitos a uma tarifa de 12%, com exceção de energia e potássio, que permanecerão isentos. Essa taxa de 12% pode indicar o teto das tarifas aplicáveis ao Canadá e ao México.
Os impactos das tarifas sobre o núcleo da inflação dependerão da taxa efetiva de importação, que estimamos superar 10 pontos percentuais. Se essa projeção se confirmar, o impacto sobre o núcleo do PCE será de aproximadamente 1,0%, refletindo-se entre abril e junho. A pressão inflacionária deverá se concentrar nos bens, enquanto a reação do FED dependerá dos efeitos secundários das tarifas, especialmente sobre o setor de serviços. Consideramos que a ancoragem das expectativas de inflação e a provável desaceleração da atividade econômica nos próximos trimestres contribuirão para que o impacto inflacionário seja transitório. Caso esse cenário se confirme, o FED deverá retomar o ciclo de cortes de juros no segundo semestre, à medida que a economia se enfraquece.
Brasil – A produção industrial brasileira cresceu 1,5% em fevereiro de 2025 na comparação anual, impulsionada pela alta de 2,3% da indústria de Transformação, enquanto a Extrativa recuou 3,2%. Na margem, com ajuste sazonal, houve queda de 0,1%, marcando o 5° mês seguido sem crescimento.
Entre as categorias de uso, bens de capital e intermediários avançaram, enquanto bens de consumo duráveis e não duráveis recuaram. Das 25 atividades analisadas, 14 tiveram desempenho negativo, com destaque para a forte retração de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos. O índice de difusão caiu para 44%, abaixo da média histórica de 51,3%, indicando uma contração mais disseminada na indústria.
Preços de ativos selecionados¹


(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.
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