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A Petrobras reportou na noite de quarta-feira (26) seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2024.
A companhia apresentou resultados operacionais mais fracos em Exploração e Produção, parcialmente compensados por melhores números em Refino e Gás e Energia. O grande destaque negativo, no entanto, foi o forte aumento dos investimentos, que pressionou a geração de caixa da empresa e resultou em dividendos bem menores do que os projetados por nós e pelo mercado — o que deve provocar uma reação negativa aos números divulgados.
A companhia aproveitou a oportunidade para anunciar a remuneração trimestral aos seus acionistas, com o pagamento de R$ 9,1 bilhões — R$ 0,709 centavos por ação, equivalente a um dividend yield de 1,8%. O grande debate deverá girar em torno do aumento expressivo dos investimentos no trimestre, que totalizaram US$ 5,7 bilhões, 30% superior ao registrado no 3T24. No ano, os investimentos atingiram US$ 16,6 bilhões e ultrapassaram as projeções para o ano, que foram revistas em agosto para um patamar entre US$ 13,5 e US$ 14,5 bilhões.
A companhia afirma que esse aumento na rubrica ocorreu graças ao adiantamento de investimentos junto a fornecedores, com o objetivo de assegurar a implementação dos projetos no segmento de Exploração e Produção, que devem ser entregues nos próximos anos, e que boa parte desse adiantamento estava prevista para 2025. Contudo, ao reafirmar os planos de investimentos para 2025, a empresa passa uma mensagem ambígua.
Essa “surpresa”, que reacende dúvidas sobre a alocação de capital da companhia, deve ser a responsável pela performance negativa das ações no pregão de hoje (27).
Voltando aos resultados: com os dados de produção e vendas já divulgados, as métricas de receita e EBITDA não costumam trazer grandes novidades — e foi isso que observamos. Desta vez, entretanto, houve uma pequena surpresa negativa no segmento de Exploração e Produção, que apresentou margens mais baixas. Essa redução pode ser explicada por: (i) maturação de operações no Pré-Sal (FPSO Maria Quitéria e FPSO Duque de Caxias); (ii) pausas para manutenção em Búzios; e (iii) maiores intervenções na Bacia de Campos. Esperamos que, nos próximos trimestres, a companhia volte a apresentar margens melhores em E&P.
Apesar de continuarmos com uma visão construtiva para a Petrobras, os dados divulgados hoje acendem uma luz amarela sobre a principal questão de todos os investidores: a alocação de capital da empresa. Esperamos ouvir mais detalhes durante o conference call de resultados para obtermos maiores esclarecimentos sobre o que foi divulgado.
Petrobras (PETR4) — Compra
Preço Alvo | 43,50 |
Preço Atual | 37,95 |
Upside | 15% |
Capitalização de Mercado (R$ bi) | 519 |
Ações Emitidas (mi) | 6.444 |
Free Float | 63,3% |
Performance
Semana | -1,27% |
Mês | +2,07% |
Ano | +4,86% |
Análise por Bruno Benassi, CNPI 9236, Analista de Ativos da Monte Bravo Corretora, CNPJ 50.489.148/0001-00.