Mercados globais despencam após retaliação chinesa à tarifas dos EUA

04/04/2025 às 09:06

04

Sexta

Abr

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Mercados

Os mercados de risco globais despencaram ontem (03) e seguem em forte queda nesta manhã após o anúncio da retaliação chinesa às tarifas americanas.

O anúncio de Trump de uma tarifa-base de 10% atinge mais de 180 países e impactou duramente os mercados globais. Os investidores agora se perguntam se os países conseguirão negociar acordos comerciais com os EUA para reduzir as tarifas, depois que Trump afirmou estar aberto a negociações. 

Ontem foi o pior dia desde 2020 para os índices acionários dos EUA, onde as perdas foram maiores. O S&P 500 caiu 4,80%, enquanto o Nasdaq Composite, de forte peso tecnológico, despencou quase 6,00%. 

O recado de Trump é que os EUA não estão preocupados com o crescimento no curto prazo. 

Em discurso, o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, afirmou que “não há necessidade de apressar novos ajustes na política monetária. A posição atual está bem calibrada para lidar com os riscos e incertezas que enfrentamos na busca por ambos os lados do nosso duplo mandato”. 

Os juros dos Treasuries nos EUA continuam em queda nesta sexta-feira (04), com a taxa de 10 anos caindo mais de 13 pontosbase, para 3,90%, o menor nível desde outubro. O título de 2 anos recua 14 p.b., para 3,54%. 

Ontem, o euro atingiu o maior nível em seis meses, subindo 2,40%, para US$ 1,11. Mas hoje, o DXY sobe 0,50%, para 102,60. O ouro à vista recua 0,50%, negociado a US$ 3.098,00 por onça nesta sexta. O bitcoin se recupera um pouco, subindo 1,50%, negociado a US$ 83.511,00. 

Os preços do petróleo seguem em queda, com os futuros do Brent recuando 0,40%, para US$ 69,8 por barril, enquanto o WTI cai 0,50%, para US$ 66,60. 

As ações japonesas lideraram as perdas na Ásia nesta sexta, acompanhando as fortes quedas de Wall Street. Os mercados acionários europeus ampliaram a queda depois do anúncio da retaliação chinesa (veja ao lado) às tarifas americanas. O índice regional STOXX 600 cai cerca de 4,50%, enquanto os futuros de ações nos EUA recuam cerca de 3,50%. 

Por aqui, ontem o Ibovespa fechou em queda de 0,04%, aos 131.141 pontos. O dólar à vista fechou em baixa de 1,20%, a R$ 5,6281, e os juros fecharam em forte queda.

Economia

China: O governo chinês anunciou a imposição de tarifas de 34% sobre todas as importações provenientes dos EUA em retaliação ao anúncio do governo americano. A medida entra em vigor em 10 de abril.

EUA: O ISM de serviços caiu de 53,5 pontos em fevereiro para 50,8 pontos em março, abaixo da expectativa de 52,9 pontos. Apesar de ainda indicar expansão, o dado trouxe sinais de alerta: o emprego passou a mostrar contração, novas encomendas enfraqueceram — inclusive para exportações — e, embora o indicador de preços tenha recuado, ele segue elevado, refletindo repasses de custos.

EUA: A governadora do Fed Lisa D. Cook abordou os desafios da política monetária em um cenário de elevada incerteza. Ela lembrou que o FED elevou os juros em 2022 e 2023 para conter a inflação, mas recentemente optou por mantê-los estáveis. Diante das incertezas econômicas e políticas, Cook defende uma abordagem cautelosa, com vigilância e paciência. Ela também destacou que as tarifas de importação podem pressionar os preços e afetar as expectativas de inflação, ao mesmo tempo em que reduzem a renda disponível e desestimulam investimentos e contratações, prejudicando o crescimento.

Cook reafirmou o compromisso do Fed com seu duplo mandato de promover o máximo emprego e a estabilidade de preços. Embora a inflação tenha recuado desde 2022, ainda está acima da meta de 2%. O mercado de trabalho segue forte, mas a previsão é de crescimento moderado e leve aumento no desemprego, com a inflação mostrando resistência, em parte devido às tarifas.

Segundo ela, a política monetária deve continuar sendo orientada por uma ampla base de dados e informações qualitativas e o maior desafio atual está na incerteza sobre a formação das expectativas dos agentes privados. Nesse contexto, Cook considera apropriado manter os juros no nível atual, acompanhando de perto os desdobramentos econômicos.

Brasil: O IGP-DI registrou deflação de 0,50% em março. No mês de fevereiro, a taxa havia sido de 1,00%. Com este resultado, o índice acumula alta de 0,60% no ano e 8,57% em 12 meses. Todos os componentes do IGP desaceleraram em março. No IPA, os recuos nos preços do minério de ferro, bovinos e arroz contribuíram para a queda. No IPC, destacaram-se as retrações nas passagens aéreas, arroz e energia elétrica. No INCC, os principais impactos negativos vieram dos vergalhões de aço e tubos de PVC.

Preços de ativos selecionados¹

(1) Cotações tomadas às 8h BRT trazem o fechamento do dia dos ativos asiáticos, o mercado ainda aberto para ativos europeus e futuros e o fechamento do dia anterior para os ativos das Américas.
(2) Ativos de renda fixa apresentam a variação em pontos-base (p.b.), esta é a forma como o mercado expressa variações percentuais em taxas de juros e spreads. O ponto-base é igual a 0,01% ou 0,0001 em termos decimais. Os demais ativos mostram a variação em percentual.
Fonte: Bloomberg.

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