Imposto de importação: como afetam as varejistas

03/06/2024 às 11:37

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Segunda

Jun

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Na última terça-feira (28), o governo federal fechou um acordo com todo os partidos para taxar em 20% de imposto de importação as remessas internacionais de até US$ 50, que hoje são isentas.

Será, portanto, que isso terá um efeito positivo nas varejistas brasileiras, que há muito vinham sofrendo com a concorrência de estrangeiras como Shein e AliExpress?

Segundo analistas, a decisão deve favorecer companhias locais, mas no longo prazo, é preciso ter cautela com os reflexos disso na economia e nos juros.

Segundo Julia Monteiro, analista da Mycap, em momentos de maior insegurança financeira, os consumidores tendem a optar por produtos de menos qualidade, mas que seguem alguma moda ou tendência, que é justamente o que pode ser facilmente encontrado em e-commerces como a Shein, que ganhou popularidade no Brasil nos últimos anos devido aos preços competitivos. Portanto, se as compras nessas companhias passam a ser taxadas, suas concorrentes locais voltam a ganhar mais força.

“A decisão deve afetar especialmente varejistas de moda. Em momentos de insegurança financeira, há efetivamente uma escolha por produtos de menor qualidade, mas mais de moda”, afirma a especialista. Para ela, ações como Lojas Renner, Marisa e Guararapes (dona da Riachuelo) devem se beneficiar da decisão.

É importante destacar que os impostos não sairão diretamente do bolso dos consumidores. As lojas estrangeiras que serão taxas. No entanto, elas podem optar por “repassar” esse custo aos consumidores a fim de não perder suas margens, o que pode levar a um aumento do preço dos produtos anunciados nelas. Assim, as brasileiras podem voltar a ganhar competitividade.

Segundo a analista, varejistas como Americanas e Magazine Luiza também devem se beneficiar da decisão, justamente porque companhias como a Shopee e outras estrangeiras passaram a concorrer na venda de outros itens além do vestuário.

Bruno Benassi, analista de ativos da Monte Bravo, concorda que varejistas de moda, como C&A e Renner, devem ser as mais impactadas positivamente neste primeiro momento. Para ele, a taxação tem como efeito positivo colocar as concorrentes para “jogar no mesmo nível” que as brasileiras.

“Eu acho que a taxação deve trazer um impacto positivo para as varejistas mais influenciadas por esses e-commerces internacionais, como Renner e C&A. Outras, voltadas para renda mais alta, como Arezzo, Soma, Vivara são menos impactadas”, diz o especialista.

Benassi destaca que empresas como Shein e Shopee estudam trazer operações para o Brasil, o que pode elevar ainda mais o nível de concorrência. Segundo o especialista, essas companhias têm boas estratégias de marketing, especialmente em redes sociais, e de ofertas, que é algo que as brasileiras ainda estão desenvolvendo.

“Parece que eles sabem operar muito bem a parte de social, de ofertas, coisa que Renner e C&A, por exemplo, ainda sofrem, apesar de a C&A ter aprendido bastante nos últimos tempos”, diz.

Leia a reportagem na íntegra: Valor Investe

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